O Blog que é um soco no estômago da pseudo-intelligentsia brasileira!

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Quinta-feira, Outubro 30, 2003


Enquanto isso, na Sala de Justiça...

Tudo calmo no quartel-general dos Super Amigos. Aliás, calmo até demais. Com Lex Luthor, Sinestro, Brainiac, Solomon Grundy, Espantalho, Bizarro e Manta Negra finalmente fora de ação, confinados no Asilo Arkham, sobra muito tempo e pouca coisa para um herói fazer.
Por conta do marasmo das atividades criminais, quase todos os super-heróis resolveram se afastar temporariamente da Liga. Super-homem, por exemplo, voltou a Metrópolis para responder um processo por falsidade ideológica movido contra ele pela promotoria da cidade, depois que o Planeta Diário, num incrível furo de reportagem, revelou ao mundo inteiro a identidade secreta do Homem de Aço.
Batman e Robin, por sua vez, tiraram merecidas férias, após ininterruptas décadas de combate incansável ao crime, e foram fazer um romântico cruzeiro pelas ilhas gregas.
Já a Mulher-maravilha, aproveitou a calmaria para dar uma levantada no visual. Foi para a clínica do Ivo Pitanguy e fez uma plástica completa. Colocou silicone nos seios, fez lipo-escultura, tirou a papada, deu uma arrebitada no nariz e se livrou daqueles incômodos pés-de-galinha que emolduravam, já há algum tempo, seus belos olhos azuis. Dizem que ficou irreconhecível.

De volta à pacata Sala de Justiça, entre espreguiçadas e bocejos involuntários, os super-mega-híper-ultra-entediados super-gêmeos realizam mais uma "empolgante" partida de buraco, enquanto Gleek, seu inseparável macaquinho espacial, delicia-se com um cacho de bananas pendurado em um lustre.

Quase afogados em sua própria modorra, Zan e Jayna decidem fazer algo antes que seja tarde demais. Jogam as cartas de baralho na mesa, pulam das cadeiras, unem seus anéis e pronunciam as palavras mágicas:

- Super-gêmeos ativar!
- Forma de uma jaguatirica mutante alada! - exclama Jayna
- Forma de um picador de gelo de gelo gigante! - emenda Zan

Depois de transformados, os dois saltam um sobre o outro e iniciam um sangrento duelo. Por um instante, Gleek pára com suas macaquices e olha com curiosidade para os dois, mas logo se desinteressa e volta a se entreter com suas bananas. Em meio a dentes arrancados, jugulares jorrando sangue, unhas rachadas, micoses no sovaco e ao som das onomatopéias mais estapafúrdias e toscas já ouvidas na blogosfera [Bléim, Pluc, Fuééé, Sangra, Fura, Rasga, Nheco-nheco!!!!], os super-gêmeos vão sucessivamente assumindo as mais variadas e bizarras formas: um ornitorrinco albino neozelandês e um monjolo de gelo; um babuíno africano com hemorróidas e uma estrela ninja de gelo; um mamute siberiano hermafrodita e um aspirador de pó Black&Decker de gelo; e assim por diante...
Até que, exaustos e com quatro litros de sangue a menos cada um, Zan e Jayna tentam uma cartada final:

- Forma de um Tiranossauro Rex ensandecido! - anuncia Jayna
- Forma de uma bala Soft de gelo! - replica Zan

Então Jayna, já metamorfoseada em tiranossauro, ao ouvir a opção ridícula do irmão, dá uma risada zombeteira e, sem perder tempo, agarra-o, abre a assustadora bocarra e joga-o goela abaixo, ainda às gargalhadas. De repente, algo inusitado acontece: a descomunal Tiranossauro Rex Jayna pára de rir, arregala os olhos e começa a arroxear. Cambaleante e inesperadamente sufocada com a bala Soft Zan entalada na garganta, Jayna tenta em vão aplicar em si mesma a manobra de Heimlich para evitar a asfixia, mas infelizmente seus curtos braços tiranossáuricos não ajudam muito na operação.
Já quase a ponto de perder os sentidos, Jayna tira então seu anel do dedo e leva-o a boca, trêmula, para numa última e desesperada tentativa de salvação, engoli-lo e assim reverter a transformação. Contudo, um capricho do destino faz o anel escorregar de sua mão e rolar direto para dentro de um pequeno buraco de rato na parede. Jayna ainda ensaia um esboço de reação, mas logo em seguida cai inconsciente por terra, com seu irmão bala Soft Zan preso em sua garganta.
Deitado sobre a mesa de reunião da Sala de Justiça, alheio a todos os dramas da humanidade, Gleek, o macaquinho espacial, saboreia tranqüilamente sua última banana.





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Segunda-feira, Outubro 27, 2003




POPwritersSTARS - 1ª FASE

Conforme fartamente anunciado e acompanhado pela mídia especializada, realizou-se ontem a primeira fase do concurso mais pop da blogosfera tupiniquim, POPwritersSTARS. Foram mais de oito milhões de inscritos que reuniram-se, como havíamos orientado, no quintal da casa de Paulo Maluf. Obrigado, ex-prefeito. Eis uma imagem aérea da multidão. Repare no entusiasmo dos candidatos.

Aqui, uma das 9.087 salas montadas com material biodegradável no local da primeira eliminatória que vai escolher os mais talentosos e cheios de sex appeal blogueiros do país. Só eles poderão juntar-se ao panteão da glória blóguica, integrando o quadro de Ernestinho e suas mulatas besuntadas:

A primeira eliminatória consistia em escrever um post engraçado, emocionante, irônico, sarcástico, dramático e profundo com o tema "O que será que o Arnold Schwarzenegger tem na cabeça?" Tudo isso enquanto um ex-sargento do DOI CODI andava em volta dando berros de "Vamos trabalhar!" ou então "Vagabundo, tá blogando de novo ao invés de trabalhar?!" ou então: "sua ameba desmamada, já fez o levantamento dos custos da rota cartório/banco para os officeboys, que eu pedi?" Terminado o poste, eles tinham que configurar, editar as imagens do poste, gritar "para o alto e avante!" e dançar e cantar "Living La Vida Loca". Vejam abaixo um flagra do tal sargento, que não quis identificar-se, por razões óbvias.

Dois mais de oito milhões de candidatos, 7.689.857 foram eliminados. 67% deles não suportaram a tensão psicológica e abandonaram o local das provas dizendo coisas sem sentido. 34% foram eliminados porque seus postes tinham erros crassos de português como "Bezuntadas" ou "a nível de". Outros 43% foram eliminados porque não conseguiam acertar a letra de "Living La Vida Loca", ao passo que 72% foram eliminados porque os jurados não foram com a cara. Eis aqui o depoimento de um candidato eliminado, o senhor Johan Müllford Strauss, PhD em física termo-nuclear pela universidade de Columbia: "Eu achava que essa era a minha vocação real... mas não importa, vou me preparar melhor e voltar aqui ano que vem, caso haja outra edição do concurso. Ainda sinto que tenho muito para dar." Vejam a cara do infeliz:

Já Paloma Mandabala, que foi aprovada, disse o seguinte: "Gente foi muito difícil. Todos os candidatos são talentosos, mas senti que era o meu dia. Ainda preciso aprender a digitar com mais do que dois dedos, e também como se escreve a palavra blog, mas sinto que posso chegar lá. Vou dar tudo de mim." Aqui a dita candidata enquanto falava à reportagem de Ernestinho:

A próxima fase será ainda mais difícil e eletrizante. Provas dificílimas, candidatos estressados e a louca corrida por um lugar ao sol. Tudo isso, só em POPwritersSTARS.




Ou aqui:

Sexta-feira, Outubro 24, 2003


Cenas dos próximos capítulos
fique ligado! Semana que vem, neste mesmo blog, você acompanhará:


PORWRITERSTARS

O concurso que está mexendo com a cabeça dos cabeça. Quem será que integrará o seleto rol dos autores de Ernestinho??? Quem formará o blog mais pop da blogosfera? Até o momento estão computadas mais de 25.000 inscrições, e elas ainda estão abertas. Você acha que é mais do que uma anatomia decrépita que segue a manada visando meramente garantir a subsistência de seu futuro cadáver? Então participe você também! Quer saber mais? Clique aqui.

Maria de Auschwitz, 2º capítulo

Você verá o segundo capítulo dessa fantástica novela que obrigou Sharon Stone a dizer: "uau" (wow). Dando continuidade à dinastia de folhetins mexicanos inaugurado com Maria do bairro, chegou a hora de vermos essa chuva de lágrimas em olhos muito bem maquiados dentro de um campo de concentração nazista. Perdeu o primeiro capítulo? Clique aqui.

Janjão Jones, o espião que me espiava

Você saberá como pôde o nosso herói ver-se livre da angustiante armadilha em que o deixamos aqui e aparecer livre, leve e solto, escalando montanhas aqui. Im-pres-sio-nan-te!

E muito, muito mais!

Tiradinhas geninais, histórias emocionantes, fatos repulsivos, piadas brilhantes e muito, muito amor. Um beijo no seu coração!



Ou aqui:

Quarta-feira, Outubro 22, 2003


Quarta-feira por esse mundão a fora

Dia ensolarado na Ilha da Fantasia. Por entre guarda-sóis amarelos e morenas biscoitudas estendidas nas brancas areias do resort, um anão, trajando um diminuto smoking branco, corre tresloucadamente em direção ao casarão em estilo colonial panamenho que está situado no ponto mais alto da ilha. Ofegante e com as perninhas ridiculamente curtas já bambas pelo esforço exigido na corrida, Tatu atravessa o lobby - notebook debaixo do braço e testa gotejando de suor - e chega finalmente à área do solarium e da piscina; trôpego.
Sentado à sombra de uma imponente palmeira imperial, vê-se um homem em um irreprochável summer com um grande cravo vermelho na lapela, lendo tranqüilamente a sua edição do Daily Island em uma confortável poltrona de vime.

- Sr. Ricardo! Sr. Ricardo! - grita o anão, arfante.
- O que foi desta vez, Tatu? - replica calmamente Ricardo Montalbán, sem tirar os olhos do jornal - por acaso algum monstro marinho resolveu devorar nossos hóspedes outra vez? - diz soltando uma gargalhada de deboche.

Sem perder tempo, Tatu abre o notebook que traz junto à axila, aponta com o dedinho roliço a tela do computador e anuncia lacônico:

- O Sr. precisa ver isso!

Com um esgar de espanto e um estranho brilho no olhar, Ricardo Montalbán levanta-se de um só salto da poltrona. Vira-se para Tatu, e ainda incrédulo com o que acaba de ver, abre um sorriso de orelha a orelha e exclama eufórico:

- POPwritersSTARS, aqui vou eu!



CONCURSO POPwritersSTARS ERNESTINHO

Depois do avassalador sucesso de Popstars, o programa do SBT que faz com que milhares de manés rebolem no sambódromo piscando pra uma câmera e depois são peneirados mais e mais, enquanto um narrador diz obviedades como se todo mundo chorasse com tudo o que acontece lá, até formarem uma banda que canta e rebola no programa do Gugu, ou seja, um programa de TV que mostra, de forma bem sensacionalista, o nascimento duma banda que nada mais é que uma reedição do Menudo, nós também resolvemos fazer o nosso Popstars.

As inscrições já estão abertas! Você manda aí nos comentários seu nome completo, de onde tecla, o que faz da vida, uma foto 6,3 X 4,8, deposita R$ 65,40 na nossa conta, que é o valor da inscrição, escreve uma frase de até 768 caracteres, dizendo por que acredita que deveria ser selecionado [Ex: eu acho que eu devo de ser escolhido para ser um POPwriterSTAR por causa que eu vou dar o melhor de si...] e aí é só torcer e acreditar no seu talento. Os escritores iluminados de Ernestinho e suas mulatas besuntadas vão ser os jurados que vão selecionar os dois novos componentes de Ernestinho, o blog mais pop da blogosfera!

Para ser um POPwriterSTAR o candidato só precisa ser como os autores de Ernestinho: lindo, inteligente, charmoso, talentoso, culto e com hálito cheirosinho. Você, que não se encaixa nesse exigente perfil, vai acompanhar cada fase do concurso POPwritersSTARS aqui, em Ernestinho e suas mulatas besuntadas! Não deixe de perder!



Ou aqui:

Terça-feira, Outubro 21, 2003


1500 VISITAS!!!!!!!

Caros blog-leitores, blog-transeuntes, blog-flâneurs e variantes, é com imenso prazer que anunciamos agora mais uma conquista de Ernestinho e suas mulatas besuntadas, o blog mais supimpa da blogosfera que é a coqueluche do momento em mais de 584 países em todo o mundo. Hoje, com a ajuda e o carinho de todos vocês, conseguimos atingir a memorável marca de 1500 visitas [um número equivalente à população total da cidade de Tangamandapio no México], gravando assim de forma indelével na história da humanidade os nomes: Alexandre Spissoto, Hélio Serafino e Marco Aurélio Brasil.

Aproveitando esse momento de intenso regozijo e comemoração, publicamos também o resultado da segunda grande enquete de Ernestinho e suas mulatas besuntadas, que colocou em pauta a seguinte questão: "Com Arnold Schwarzenegger como governador da Califórnia, quem seria na sua opinião o candidato(a) ideal na sucessão presidencial dos EUA?".

Para nossa surpresa, se as eleições nos EUA acontecessem hoje, o grande vencedor seria - pasmem - ninguém mais ninguém menos que 'Flipper, o golfinho'. Por isso, como forma de homenagem a essa grande figura cinematográfica, e em celebração pelas 1500 visitas alcançadas, postamos agora duas fotos dos momentos mais marcantes deste carismático e brilhante cetáceo: a primeira no auge de sua carreira, quando estrelou ao lado de Gene Kelly o musical aquático 'Swimming in the Pool', cuja performance de sapateado, ou melhor, barbataneado é simplesmente inolvidável; e a segunda imagem, um triste retrato do final de sua vida, quando tragicamente acabou se tornando mais uma vítima da pesca indiscriminada de atum na baía de Tóquio...




Ou aqui:


Janjão Jones em - A maldição da Liga das Senhoras Com Cólicas

No último capítulo: Fred Astaire tentou dar uma de bacana e dançou. O mordomo de Zorro, depois de vinte e seis anos de fonoaudiologia, readquire o poder de falar e diz "farofa" com a boca cheia da dita cuja. Louis Armstrong, que passava por ali e que foi polvilhado de farofa, disse "what a wonderful word!" Miles Davis foi expulso da escola por ficar assoprando, enquanto Cole Porter diz ao seu urologista, após um intenso exame de toque: you do something to me.

Nosso herói albanês está escalando um monte só com as mãos e um saquinho com pozinho amarrado na cinta. Em seu rosto, vemos toda a satisfação que o perigo lhe proporciona. Lá pelas tantas ele escorrega um pouco e fica dependurado numa única mão. Pausa para fazer uma pose, então num salto com cambalhota no ar cai abrindo espacate em cima da rocha. Ele espalma as mãos satisfeito e admira a visão do enorme vale.

Um helicóptero aparece e lança aos seus pés um foguetinho de onde ele tira um aparelho. Ele aperta play e aparece sua mãe, dizendo em alto e bom albanês: "Janjão, seu palerma! Você deixou sua cama desarrumada quando saiu daqui! E não lavou a louça do café-da-manhã! Sua camisa branca ficou cheia de sangue que eu não consigo tirar. Bom, apesar de tudo, eu vou fazer carne de capivara, seu prato predileto, hoje à noite. Fiquei sabendo que você anda aparecendo por aí com uma moça, seu safado! É igualzinho seu pai [diz beijando a foto de um homem de bastos bigodes, vestidos como militar]. Que tal trazê-la aqui hoje? Tchau, beijão!"

Janjão dá um profundo suspiro e assume um ar melancólico. Ele sabe que não pode estar na Albânia naquela noite, já que está no Brasil, prestes a solucionar o misterioso caso das armas químicas produzidas à base de esfiha do Habibs, taco sabático e churrasco grego, em pleno Capão Redondo.

- Esta mensagem se autodestruirá em sete segundos - diz uma gravação vinda do aparelho.

Janjão, com outro suspiro, joga o aparelho sobre o ombro. Ele cai no helicóptero e explode, matando todo mundo.

- Foi mal aí - grita Janjão.

Depois dessa breve interrupção em seu lazer, Janjão Jones começa a descer. Pra coisa ficar mais emocionante, ele venda os olhos.

Quando chega ao jipe, no sopé da montanha, Janet Jhonson está deitada no banco reclinado, com uma máscara facial e rodelas de pepino nos olhos.

- Janet, mamãe sabe sobre nós - diz Janjão.
- Ué, sabe o que, lindo? A gente não fez nada.
- Mesmo assim, você sabe, ela é da velha geração. Para eles, todo homem que vê uma mulher com máscara facial precisa casar-se com ela.

Janet arranca os pepinos e dá um salto:

- Você se casaria comigo, Janjão?
- Eu odiaria desobedecer a mamãe.

Eles se aproximam e estão prestes a beijar-se quando aparecem dois enormes caminhões com homens portando metralhadoras e atirando enquanto gritam em árabe:

- Morte aos albaneses!

Ágil como uma borboleta doidivanas, Janet Jhonson salta para a parte posterior do jipe, pega uma bazuca, monta, mira e atira, mandando para os ares um dos caminhões. Janjão, contudo, não tem nada nas mãos. Então, ele atira-se para baixo do caminhão e, segurando-se na parte de baixo, começa a escalá-lo. Os árabes ficam a procurá-lo olhando para todos os lados quando ele subitamente aparece do nada, agarra um pelo pescoço, e atira fora do caminhão, chuta o bilau de outro e fura os olhos dum terceiro. Faltava ainda um quarto, que vem da cabine ver o que acontecia lá atrás. Ele vem andando cautelosamente. De repente, dois olhos aparecem atrás dele. Era Janjão, que havia-se pintado da cor da parede da caçamba do caminhão. Crec! Era o pescoço do vilão sendo partido. Faltava ainda o motorista. Ele coloca o caminhão no piloto automático e salta para lutar com Janjão. Trata-se de um brutamontes que dá três de nosso herói. Após uma luta emocionante, em que Janjão mais apanha que bate, o brutamontes acaba picado na hélice de um avião que estava por ali.

- Quem eram? pergunta Janet.
- Não sei. Mas vou descobrir -diz Janjão Jones, ajeitando a gravata.





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Segunda-feira, Outubro 20, 2003


CONCURSO POPWRITERSTARS ERNESTINHO

Depois do avassalador sucesso de Popstars, o programa do SBT que faz com que milhares de manés rebolem no sambódromo piscando pra uma câmera e depois são peneirados mais e mais, enquanto um narrador diz obviedades como se todo mundo chorasse com tudo o que acontece lá, até formarem uma banda que canta e rebola no programa do Gugu, ou seja, um programa de TV que mostra, de forma bem sensacionalista, o nascimento duma banda que nada mais é que uma reedição do Menudo, nós também resolvemos fazer o nosso Popstars.

As inscrições já estão abertas! Você manda aí nos comentários seu nome completo, de onde tecla, o que faz da vida, uma foto 6,3 X 4,8, deposita R$ 65,40 na nossa conta, que é o valor da inscrição, e aí é só torcer e acreditar no seu talento. Os escritores iluminados de Ernestinho e suas mulatas besuntadas vão ser os jurados que vão avaliar os dois novos componentes de Ernestinho, o blog mais pop da blogosfera!

Para ser um POPWRITERSTAR o candidato só precisa ser como os autores de Ernestinho: lindos, inteligentes, charmosos, talentosos, cultos e com hálito cheirosinho. Você, que não se encaixa nesse exigente perfil, vai acompanhar cada fase do concurso POPWRITERSTARS aqui, em Ernestinho e suas mulatas besuntadas! Não deixe de perder!




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Domingo, Outubro 19, 2003


Um Dia de Domingo

Hoje eu acordei e, ainda meio tonto pela mudança do horário de verão, resolvi dar uma fuçada rápida na internet. Pois muito bem: estava eu lendo o último post do É por aqui que vai pra lá, o blog sério do Marcão, quando de repente me deparo com a seguinte frase "...o importante é deixar falar a voz do coração". Foi inevitável: em um belo domingo de sol como este, nas imediatas associações que se seguiram, minha mente foi inexoravelmente arrastada até um ponto indefinido do ano de 1985. Em meio à paisagem emoldurada por nuvens do meu flashback, pude ver o dueto formado por Tim Maia e Gal Costa, protagonizando uma das cenas mais lamentáveis da história da Música Popular Brasileira.
Se ainda não caiu a sua ficha, dê uma olhada na letra abaixo e mergulhe de cabeça na plenitude da breguice que só os anos 80s podem lhe oferecer.


Um Dia de Domingo.

Eu preciso te falar,
Te encontrar de qualquer jeito,
Pra sentar e conversar,
depois andar de encontro ao vento.

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia,
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo,
E voltar num sonho lindo.

Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido,
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo,
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Num dia de domingo.

Faz de conta que ainda é cedo,
Tudo vai ficar por conta da emoção,
Faz de conta que ainda é cedo,
E deixar falar a voz do coração.




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Sexta-feira, Outubro 17, 2003


E não deixe de perder também:

O intrigante conto auto-biográfico-jornalismo-verdade-neo-realista-fantástico Mario, o hacker. CLIQUE AQUI

O primeiro capítulo de Maria de Auschwitz, a blog-novela tudesco-mexicana que vai mexer com seu coração, pâncreas, vesícula biliar e vai fazer uma lobotomia da hora em você!!! CLIQUE AQUI



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Sirlene, uma voz a clamar no deserto da ignorância...

A pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos pelos quatro cantos da blogosfera é: "Cara, quem é essa Sirlene???". Bom, para quem ainda não sabe, Sirlene é freqüentadora assídua do nosso humilde pero no mucho blog e dona do inconfundível "Meu! Não entendi nada!!!", que até já virou bordão no programa "A praça é nossa".
Mas afinal de contas quem é Sirlene? O que faz quando não está postando seus "brilhantes" comentários por aí? Gosta de sushi e comida tailandesa? Já ouviu o último CD do Egberto Gismonti? Interessa-se pelos escritos de Walter Benjamin e Michel Foucault? Prefere o cinema iraniano ou iugoslavo?
Bem, para acabar de vez com todas as dúvidas e satisfazer a curiosidade dos aflitos habitantes do universo blóguico, Ernestinho e suas mulatas besuntadas apresenta agora, neste exato momento e sem mais delongas:

Um dia no dia-a-dia cotidiano e diário de Sirlene, a diarista.

Sirlene Verônica da Silva tem 19 anos, é do signo de touro com ascendente em libra e mora no bairro de Itaquera em São Paulo com sua mãe e seus cinco irmãos. Torce para o Corinthians, tem todos os CDs piratas do Vavá, é apaixonada pelo Rodriguinho do grupo Travessos e vai ao Guarapirão Dance todos os finais de semana. Estuda à noite e cursa atualmente a oitava série do ensino fundamental [que já repete pela segunda vez] na escola E.P.M.G. Alfredo Pucca em Guaianases.

Adora assistir o Domingo Legal. Desde que conseguiu comprar o computador do Show do Milhão em 136 vezes, com juros mensais de apenas 12%, manda sempre mensagens de incentivo do tipo: "Gugu! Vossê fas noço domingo muinto mais felis!!!!!!".

Seu grande sonho: ser sorteada para ser princesa por um dia no programa do Netinho. Já mandou quase duas dúzias de cartas, mas por enquanto nada.

Profissionalmente falando, Sirlene já foi garçonete do Esfiha Chic, balconista de padaria e trabalhou no telemarketing receptivo das lojas Tamakavi. Hoje é diarista e trabalha de três a quatro vezes por semana fazendo faxina em casas de classe média na zona oeste. Para completar o orçamento, faz também uns bicos como overloquista na Mooca.

Nos dias em que não pinta nenhum serviço e acaba ficando à toa em casa, Sirlene pega um busão e vai assistir o programa da Márcia Goldschmidt ou do João Kleber na platéia. Acaba matando dois coelhos com uma caixa d'água só: descola um sanduíche de mortadela na faixa pela figuração e ainda se diverte pacas. Bem melhor que ficar em casa vendo aqueles filmes repetidos da Sessão da Tarde naquela TV Telefunken meia-boca...

Sirlene adora praia, sol e mar [embora não saiba nadar e quase tenha se afogado três vezes. Duas destas só para ganhar respiração boca a boca do salva-vidas bonitão]. Quando dá, desce para a Praia Grande com umas amigas pra pegar um bronzeado e ver se finalmente consegue arrumar um namorado. À noite, coloca um top bem sexy, veste aquela bermuda jeans desfiadinha bem justa, põe a sandália da Gisele Bündchen - que ajudam a realçar sua beleza boteriana - e sai pra paquerar num pagode bem animado que fica logo ao lado da estátua do Netuno.

Resumindo, Sirlene é uma pessoa super de bem com a vida, pobre porém honrada, que adora conhecer coisas e pessoas novas. Gosta bastante de navegar na internet, embora não tenha entendido muito bem como funciona e pra que serve aquele troço. E o mais importante de tudo: curtiu demais Ernestinho e suas mulatas besuntadas. Achou o blog muito louco e engraçado, mas, para variar, não entendeu patavina. Nadica de nada. Capisci?


E NÃO DEIXE DE LER O PRIMEIRO CAPÍTULO DE MARIA DE AUSCHWITZ, A BLOG-NOVELA TUDESCO-MEXICANA QUE VAI MEXER COM SEU CORAÇÃO, PÂNCREAS, VESÍCULA BILIAR E VAI FAZER UMA LOBOTOMIA DA HORA EM VOCÊ!!! CLIQUE AQUI



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Quinta-feira, Outubro 16, 2003


Mário, o hacker

Mário Carlos era um menino prodígio que morava num belo sobrado num bairro de classe média em uma grande cidade do Brasil. Quando tinha 7 anos de idade, seu pai, devido aos inúmeros relatórios que tinha que digitar naquela máquina de datilografia IBM, resolveu comprar um computador. A partir daquele ano, a vida de Mário mudou por completo. Começou aos 7 anos mesmo, com programinhas de desenho e pintura, aos 9 anos já digitava e formatava todos os relatórios do pai, incluindo gráficos, tabelas, e tudo que o pai, Dr. Paulo Alcântara de Azevedo Silva, um esforçado contador que tinha seu próprio escritório, tinha grande dificuldade de fazer.

Mas foi em 1995, aos 16 anos, que Mário realmente conheceu o que um computador podia fazer. Vendo o crescimento da globalização, e a necessidade de acesso rápido à informação, Dr. Paulo mandou instalar em seu consultório uma rede de internet. Mário entrou em ação mais uma vez, comprou os equipamentos, atualizou os computadores, fez todas as ligações de cabos, desenhou uma home-page pro consultório do pai, ensinou o pai e os funcionários do pequeno escritório a usar os equipamentos. Fez conexão com clientes, fornecedores e criou um novo programa contábil que acessava dados direto da rede.

Mário começou então a gastar cada vez mais tempo em frente ao computador. De dia, escola, à tarde, enquanto seus amigos voltavam à escola pra jogar bola, ajudava o pai no escritório, e à noite, quando seus amiguinhos iam ao cinema com as menininhas, acessava salas de bate-papo, sites de conteúdo duvidoso e, principalmente, aprendeu a invadir sites. Foi adquirindo conhecimento, colecionando senhas, baixando, criando e trocando programas com outros hackers. De dia era Mário, à noite Dark_Knight_79. Começou a ir mal na escola, e o pai o liberou do trabalho pra que pudesse estudar mais.

Numa tarde, já com 17 anos, estava lá ele, de shortinho azul marinho, camiseta regata branca e chinelos havaianas. Já havia comido uma caixa de bombons Garoto e bebido 2 litros de Guaraná Taí, quando resolveu inovar. Era sem dúvida seu maior e mais ousado feito até então. Iria hackear o site do FBI.

-Eles não vão me pegar nunca - pensou - Eu sou muito mais esperto.

Acessa o site, abre seus programinhas hacker, senha aqui, IP ali, config aqui, e ele consegue entrar no banco de dados do site, vai fuçando, lendo tudo que consegue. Seus olhos brilham, ri sozinho. Vai lendo arquivos sobre defesa nacional, política, criminosos, etc. Até que acha uma pasta chamada The Kennedy Files. Vai lendo, informações importantes e cabeludas vão surgindo, nomes como Marilyn Monroe, Jackie Kennedy, Joãozinho trinta, informações sobre contas bancárias na Suíça, tráfico de influências, relações com contrabandistas paraguaios, o texto é enorme e Mário começa a cansar, até que lê algo que lhe traz a atenção de volta "...e o FBI então descobriu que o verdadeiro assassino de John Kennedy foi.."

-Din-Dong!, Din-Dong! - toca a campainha.
-Droga, quem será a essa hora? - xinga Mário.

Mário levanta-se e vai até a porta, onde vê pelo olho mágico um senhor de terno preto, óculos escuros, e uma Blazer preta com vidros fumê estacionada em frente.

-Xi, danou-se! é o FBI! - pensa.

Corre para a porta dos fundos, pensando em fugir, quando lembra-se do computador. Corre então escadas acima, até seu quarto, desconecta o computador, abre a caixa tira o HD, joga no chão e pisa em cima, quebrando-o em centenas de pedacinhos, os quais joga na privada e dá descarga. Pega também todos os disquetes, CD's, e faz o mesmo, quebrando-os um por um, eliminando qualquer prova contra si mesmo.

A campainha continua tocando, Mário olha pela janela do quarto, e o homem está espreitando pela janela da sala. Mário desce as escadas vagarosamente, sem fazer barulho. Ao fim das escadas, percebe que pode ser visto pela janela da sala, e resolve saltar rapidamente através do corredor, mas ao fazê-lo, perde o equilíbrio e cai, batendo a testa na cadeira. Ao levantar-se, percebe que está sangrando. A campainha continua tocando, seguida de batidas à porta.

-Aiai, eles me ouviram, o que vai ser de mim?

Mário caminha até a porta dos fundos, abre-a lentamente e decide pular a cerca dos fundos. O impulso é bom, mas forte demais, e ele acaba passando direto por cima do muro, não antes de ter seu joelho direito rasgado por um tijolo quebrado no muro. O corte é grande e doloroso, Mário levanta-se com dificuldade, tenta caminhar, mas a dor é grande. Pensa em pular mais uma cerca, quando ouve um rosnado, vira e vê Spike, o Rotweiller do vizinho, o mesmo cachorro que ele odiara toda a sua vida, por furar suas bolas de capotão quando caíam no quintal onde vivia. Tenta pular a cerca de volta, mas Spike tasca-lhe uma dentada no joelho já machucado. O barulho e os latidos de Spike despertam a atenção do vizinho, que sai pela porta dos fundos de sua casa, pra ver o que está acontecendo.

O vizinho, Ernesto Carlos, militar aposentado, não reconhece Mário, vai até o galpão e pega sua velha espingarda calibre 12.

-Ladrão, ladrão ! - grita Ernesto
-Não seu Ernesto, sou eu - tenta dizer Mário, mas os latidos e rosnados de Spike impossibilitam o velho de ouvi-lo.

Num esforço sobrenatural, Mário consegue desvencilhar-se da boca do cachorro, projetando-se por sobre o muro de volta ao seu quintal, mas antes, ouve um disparo. O tiro, felizmente de bala de borracha, atinge seu joelho direito, o mesmo já cortado e mordido. Mário cai de volta em seu quintal, batendo a parte de trás da cabeça no concreto.

Semi-desacordado, Mário lembra-se do agente do FBI. Num milagre, desses que só acontecem em histórias de hacker, levanta-se e arrasta-se casa adentro até a porta da frente, crente que o agente não mais ali estaria. Abre a porta e dá de frente com o senhor de terno preto. Sentindo a corda no pescoço, o fim da linha, inclina-se no batente da porta, rendendo-se.

-Tudo bem com você? - pergunta o senhor.
-Sim - responde Mário, como se alguém que tivesse acabado de passar por tudo aquilo pudesse estar bem - O que o senhor deseja?

O homem coloca a mão no bolso, Mário estende as duas mãos esperando ser algemado.

-O senhor estaria interessado em comprar um livro sobre saúde? - pergunta o colportor.

Moral da história: Melhor atender a campainha do que pular o muro dos fundos.



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Quarta-feira, Outubro 15, 2003


Aproveitando o embalo do lançamento da nova novela das oito (mas que começa às nove e tralalá), lançamos agora a obra que vai revolucionar a blog-dramaturgia mundial. A partir de agora você começa a acompanhar as emocionantes emoções de

Maria de Auschwitz
A primeira novela mexicana ambientada num campo de concentração nazista
Capítulo 1


No dormitório feminino de Auschwitz, por entre a infinidade de beliches de madeira, a luz pálida da lua ilumina o rosto impecavelmente maquiado e penteado de Maria. Todas dormem, mas ela, com ar tristonho, suspira e diz olhando para cima:

- Oh, Santa Izildita, será que meu sofrimento não terá fim? Vim para Auschwitz para encontrar meu meio irmão César Francisco, separado de mim na primeira infância por uma explosão em Guadalajara. Ouvi dizer que ele estava aqui, mas esses cruéis alemães não me deixam procurar, sempre me assoberbando de mil trabalhos! Além disso, o sargento Fritz Wilhelm não cessa de me assediar com tantas palavras melosas naquele horrível sotaque da Bavária! E, não fosse pouco, tenho que acobertar as indiscrições de Guadalupe Maristela, esta minha amiga namoradeira e rebelde! Sem falar em senhora Mariana Geralda, com sua corcunda e sua saúde frágil, sempre precisando de ajuda e de uma ração extra para sobreviver... Oh, Santa Lucrécia, tem piedade de mim!

Enquanto isso, no dormitório masculino, entre a infinidade de beliches de madeira, José Armandez suspira e diz:

- Oh, São Ernulfo de Tegucigalpa, muitas são as dores desse humilde filho de Deus! Não bastasse estar preso nesse terrível campo de concentração, sujeito a maus tratos vários e terríveis humilhações, bem como sujeito a ser assassinado a qualquer momento pelos monstros alemães [nesse ponto ele parou para cuspir com desprezo no chão], ainda me vejo privado da maior visão do paraíso que um mortal pode ter. Ontem, por entre os arames farpados, vi uma moça tão formosa quanto a luz do sol e tão sublime quanto o trinar do corvo azul. Quem será? Qual será seu nome? Terá ela alguém por quem suspirar também? Oh, São Ulpiano de Titicaca, vela por nós. Por mim, um pobre cativo que passa as jornadas a limpar latrinas; por César Francisco, o pobre rapaz tísico, forçado a trabalhar na oficina de máquinas de tortura; do sempre solícito e gentil Gerardo Jorge Ramírez, homem velho e entrado em anos, mas que jamais se furta a ajudar quem dele precise, com seus sábios conselhos e vastos conhecimentos de corrida de cavalos, pôquer, bengalas e abotoaduras. O que nos há de acontecer, sempre dedicado Santo Prosopopéio de Milagres?

Enquanto isso, no castelo da guarda alemã, o general Klaus Schukrutz dá uma lauta recepção aos oficiais germanos. A mesa farta, a cerveja corre solta, Wagner esbraveja na vitrola, mulheres em elegantes vestidos afagam as faces gordas e rosadas dos militares e muitas risadas se fazem ouvir. Então, Klaus Schukrutz levanta-se e propõe um brinde:

- À digna, superior, alta e fantástica raça ariana, que nos deu a graça de em seu seio nascermos! Ao Führer! Ao 3º Reich! A Lothar Mathaus, Völler e Beckenbauer! A Morten Harkett, Win Wenders e a todos os geniais humoristas alemães [nesse momento os circunstantes franziram a testa]! E aos nossos prisioneiros, que sempre de tão bom grado nos permitem exercitar nossos instintos mais selvagens, ajudando-nos a sermos pessoas melhores através da tortura, da humilhação e do assassinato sistemáticos!

- Viva! - gritaram todos.

No próximo capítulo: num flash back esclarecedor, a mãe de Maria aparece segurando uma colher de pau, achegando-se à janela da cozinha e gritando: Juan, traga o rastelo para mim, por favor! O general Klaus Schukrutz descobre que tem uma espinha num lugar delicado. José Armandez tem um sonho iluminador, mas quando acorda, esquece. Você não pode deixar de perder!!




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Máximas marxistas que são o máximo

"Para mim, a televisão é muito educativa. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro para ler." - Groucho Marx (1890 - 1977)

"A Razão sempre existiu, ainda que nem sempre de uma maneira muito razoável." - Karl Marx (1818 - 1883)

"Outside of a dog, a book is man's best friend. Inside of a dog it's too dark to read." - Groucho Marx (1890 - 1977)




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Segunda-feira, Outubro 13, 2003


Aniversariante do dia!!!

FANTOMAS, parabéns pelos seus 9726 aninhos!!!



E, aproveitando o ensejo, perguntamos: por onde andará o Alexandre Spissoto?



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Segunda-feira por esse mundão a fora II

Fim de tarde nublado em Tóquio. Timidamente, o monte Fuji ergue-se em meio à paisagem gris. Pelas ruas da cidade, um alvoroçado mar de olhos puxados move-se em todas as direções.

Numa sala ampla e ricamente decorada, trajando um roupão de seda azul e deitado sobre almofadas de cetim branco, Dr. Gori, um macaco loiro de 2 metros de altura, encara nervosamente o pequeno espelho vermelho de mão, o qual segura como se fosse uma raquete de ping pong.

- Céus!!! Olha essa raiz preta horrorosa! Preciso marcar uma hora no Jacques Janine urgente! - exclama com afetação. E virando-se para o gorila de avental e com colher de pau em punho que acaba de irromper desajeitadamente no aposento - Karas, seu molóide! Onde está a banana flambada que eu te pedi duas horas atrás?
- Dr. Gori, eu... hããaa...
- Calado, incompetente! - berra Dr. Gori, enquanto gesticula espalhafatosamente, fazendo movimentos bizarros com as mãos. - Ligue a televisão!

Karas corre para pegar o controle remoto da TV de plasma e coloca no canal do Shoptime.

- Está cansado de criar monstros ridículos que não assustam mais nem crianças do jardim da infância? - anuncia o empolgado narrador, enquanto imagens de patéticos monstros feitos de espuma, isopor e papel machê aparecem no vídeo. - Seus problemas se acabaram-se!!! Apresentamos agora o Kit Monstro Creator Faça Você Mesmo Tabajara! Com ele você vai poder fazer monstros assustadores, que vão botar a japonesada pra correr! Veja agora alguns testemunhos de profissionais sobre este incrível produto: "Como super-herói, nunca tinha enfrentado monstros tão terríveis quanto os criados com o Kit Monstro Creator Faça Você Mesmo Tabajara. Esse produto é realmente expressionante!" - Spectreman. "Nunca tinha visto minha luz começar a piscar tão depressa com nenhum outro monstro!" - Ultraman. Não perca mais tempo! Adquira agora mesmo seu Kit Monstro Creator Faça Você Mesmo Tabajara!

- Karas! Ligue agora para esse número e compre logo cinco kits. Temos um mundo inteiro para dominar! - Dr. Gori se levanta exultante e solta uma simiesca gargalhada de triunfo que ecoa pelo céu de Tóquio. - Huahuahuahuahuahuahua!!!!





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Segunda-feira por esse mundão a fora I

Enquanto isso na sede da Albania Pictures Company na cidade de Tirana...

- Mas Janjão Jones... os fãs já estão ficando impacientes.
- Não quero nem saber! Enquanto vocês não me pagarem os salários atrasados de julho, agosto e setembro, eu não gravo porcaria de episódio nenhum!



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Quinta-feira, Outubro 09, 2003


1000 VISITAS!!!

Parafraseando Jack Palance, acredite se quiser: 'Ernestinho e seus mulatas besuntadas', o blog que é um soco no estômago da pseudo-intelligentsia brasileira, atingiu a marca histórica de 1000 visitas!!!
Queremos agradecer em especial a todos os blog-leitores que nos agraciaram com alguns minutos ou segundos de sua atenção, a Tia Zuleide por entrar o dia todo no blog e ao Kevin Mitnick, o hacker, por nos ajudar a adulterar o sitemeter.
Além disso, resolvemos aproveitar que o Carnaval está logo aí e criamos um samba-enredo para comemorar esse feito em grande estilo. Escolas de samba: fiquem à vontade para utilizá-lo.
Cante você também com a gente!


Olha o Ernestinho aí geeente!!!

Foi lá em Londres
Ou na Bulgária que ele nasceu?
É um mistério!
Hoje esta lenda atingiu seu apogeu.

Mora na internet?
Tem quantos anos, etc e tal?
Quem é Ernestinho?
Essa figura de talento genial!

Quebrando os paradigmas
Traz a magia desse carnaval.
Ernestinho e suas mulatas besuntadas
É sangue novo na cultura nacional.

É blog blog
Ô chiquidum tererê!
Ernestinho é alegria
E mais cultura pra você!

É blog blog
Ô chiquidum tererê!
Ernestinho é alegria
E mais cultura pra você!





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Quarta-feira, Outubro 08, 2003


As pesquisas continuam II

Dando continuidade ao brilhante mas incompleto trabalho de pesquisa realizado pelo EESMBRG (Ernestinho e suas mulatas besuntadas Research Group), o IVCPEPLCEESMB (Instituto Viva Cazuza de Pesquisa e Estudos Parapsicológicos do Legado Cultural de Ernestinho e suas Mulatas Besuntadas) lança agora nova luz sobre a biografia não-autorizada oficial da história de vida de Ernestinho, dando, inclusivemente, dicas preciosas de seu atual paradeiro.

Tire a remela do olho, recoste-se confortavelmente em seu cadeirão de vime e prepare-se para as mais surpreendentes revelações...

Primeiramente, faz-se necessário esclarecer o súbito e misterioso desaparecimento de Ernestinho em 1993, ano em que o maior time de futebol do planeta [leia-se: São Paulo Futebol Clube] se sagraria bi-campeão mundial em Tóquio.

Nessa época, Ernestinho morava em Alto Paraíso, no estado de Goiás [e não na Vila Paraíso em Cubatão, conforme divulgado anteriormente pelo EESMBRG]. A decisão de mudar para essa esotérica cidade deveu-se ao fato de que Ernestinho, após ter ficado desgostoso com a fabricação de seus títeres [vulgo marionetes], saiu em busca de algo que preenchesse seu vazio existencial e acabou por se tornar um caçador inveterado de OVNIs e um ativo membro da seita "Sociedade Ufológica E.T. Phone Home".

Certa madrugada, durante uma de suas solitárias expedições ufológicas na Chapada dos Veadeiros, enquanto dava vazão às suas necessidades fisiológicas atrás de uma moita, Ernestinho viu-se subitamente envolvido por uma intensa luz azulada. Olhou para cima e viu uma gigantesca nave espacial que cobria quase toda a extensão da chapada. Começou então a ser atraído em direção à nave e logo em seguida perdeu a consciência.

Quando acordou algumas semanas depois inexplicavelmente na Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro [não se sabe ao certo o tempo exato que ele permaneceu em poder dos alienígenas], Ernestinho estava nu, pelado, sem nenhuma roupa no corpo e ostentava uma bizarra cicatriz em forma de atemóia no peito. Além disso, apenas uma lembrança relativa ao estranho episódio pairava em sua mente: a visão de um imenso luminoso contendo os seguintes dizeres em neon "Sorria! Você está sendo abduzido."

Depois do ocorrido, Ernestinho ficou durante alguns meses morando no Rio de Janeiro. Dormia em praças públicas e vivia da caridade alheia. Podia ser visto com freqüência empoleirado em monumentos, sempre às gargalhadas, gritando frases sem sentido para a "audiência". Um dia, porém, como que por um passe de mágica, Ernestinho recobrou a sanidade. Olhou para a multidão apressada à sua volta e disse de si para si: "O show precisa continuar!"

Ernestinho tentou então em 1989 lançar-se novamente no cenário musical, agora com uma banda cover do Trio Los Angeles, mas inesperadamente esse intento se tornou um retumbante fracasso.

Um ano mais tarde, tendo resolvido seguir a carreira de palhaço, Ernestinho assumiu o nome artístico "Tic-Tac" e juntou-se à Gigi, Silvana e Professor Poropopó, criando assim a Turma do Bambalalão, cujos direitos logo foram adquiridos pela TV Cultura. O programa foi um tremendo sucesso de crítica e público e Ernestinho ganhou muito dinheiro. Todavia, como tudo que é bom dura pouco, o programa saiu do ar em 1985, logo depois do desastre do ônibus espacial Challenger.

Com o fim do Bambalalão, Ernestinho passou a se dedicar à numismática e, utilizando todo o dinheiro que conseguira amealhar durante o período de vacas gordas, conseguiu formar aos poucos uma das mais valiosas coleções de moedas antigas do Rio de Janeiro.

Tudo corria muito bem, quando, no ano de 1988, Ernestinho sofreu um terrível acidente que iria marcar para sempre sua vida. Ao que tudo indica, este trágico episódio teve lugar na tarde ensolarada de 31 de setembro daquele mesmo ano, ocasião em que Ernestinho foi fazer um programinha romântico com uma porta-bandeira da Portela, de nome Irene, na Ilha de Paquetá. O dia todo foi muito agradável: alugaram uma bicicleta de dois lugares para passear, conheceram todas as locações utilizadas no romance "A Moreninha" de Joaquim Manoel de Macedo e comeram maçãs-do-amor. Contudo, lá pelas 17:34 PM [GMT], quando os dois se preparavam para apanhar a balsa para voltar para casa, a tragédia aconteceu: distraído com a beleza da voluptuosa morena, Ernestinho pisou em um cocô de cachorro, escorregou e caiu de bunda no chão pedregoso de Paquetá, vindo a fraturar seriamente seu cóccix.

A partir do acidente, Ernestinho foi obrigado a caminhar com o auxílio de muletas. Comprou logo as mais caras: esculpidas em jacarandá real e envernizadas com própolis de abelhas-uruçu. Além disso, tomou uma decisão radical: resolveu besantar as muletas, ou seja, cobriu-as inteiramente com besantes - antigas moedas bizantinas de ouro que circulavam na Europa até o século XVI - que ele mantinha orgulhosamente em sua coleção.

Desse momento em diante, Ernestinho ficou conhecido pelas plagas do Leblon e do bairro de Laranjeiras - locais em que ele costumava desfilar com seu indefectível terno de linho branco e chapéu Panamá - como o "Ernestinho das muletas besantadas".

Três anos depois, em 1994, fundou a "Ernest & Jung - Consultoria Onírica", cujo sucesso elevou Ernestinho ao Olimpo do mundo dos negócios. Ernestinho tornou-se um ícone do capitalismo pós-yuppie-neo-liberalista-multi-polar-globalizado, ficou milionário e pôde realizar um sonho antigo: tomar banho numa piscina cheia de baré-cola sabor tutti-frutti e comer cremogema todos os dias.

No final de 2002, desiludido com o paradigma vigente na sociedade ocidental capitalista e traumatizado com os chocantes acontecimentos de 11 de setembro, Ernestinho vendeu tudo o que tinha, doou toda a sua fortuna para um fundo de ajuda humanitária da ONU e foi morar numa pequena vila de camponeses na Guatemala.

E finalmente, os últimos relatos sobre Ernestinho a que tivemos acesso dão conta de que ele é hoje um próspero fazendeiro e renomado fabricante de piñatas no México e mora na cidade de Tangamandapio, onde vive feliz com suas 2 mulheres, 13 filhos, um cachorro de três patas e as duas muletas besantadas.
Et c'est fini!




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Terça-feira, Outubro 07, 2003


ENQUETE - Resultado

Ernestinho pergunta: na sua opinião, qual é a pior praga da língua portuguesa?

É com grande prazer que apresento agora, enquanto representante deste blog, o resultado da primeira grande enquete promovida por Ernestinho e suas mulatas besuntadas; iniciativa esta que, enquanto ferramenta de interatividade midiática, teve como principal objetivo uma maior conscientização do uso da língua portuguesa, enquanto idioma. Agradecemos a todos os blog-leitores que, enquanto cidadãos brasileiros, preocuparam-se em participar desta enquete e abraçaram conosco este movimento pelo engrandecimento da cultura brasileira.

Seguem abaixo as opções mais votadas:

Respeito muito o Zezé di Camargo e Luciano ENQUANTO artistas. || 29,63% (8 votos)

Estou tão feliz! Faltam só 5 dias para MIM tirar férias. || 22,22% (6 votos)

A NIVEL DE ser humano, ele é muito gente! || 18,52% (5 votos)

Pode deixar, campeão! VOU ESTAR TE LIGANDO no máximo até depois de amanhã. || 14,81% (4 votos)

A Cleonildes estava MEIA tristinha hoje. || 7,41% (2 votos)

Ah, Antenor! Você é mesmo um barato! Precisamos nos ENCONTRARMOS mais vezes, hein? || 7,41% (2 votos)

Total: 27 votos



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Segunda-feira, Outubro 06, 2003


A incrível e inacreditável história do Dr. Raid

As doze badaladas indicavam a chegada da noite mais profunda. Morcegos voejavam estrepitosamente contra a lua que boiava sobre Albrickham. Súbito, um vulto furtivo cruzou a rua e abriu o portão do velho e soturno casarão da Eddington St.. O portão rangeu como que a almaldiçoar a mão que o tangia. O misterioso vulto esgueirou-se por entre a vegetação há anos não cuidada do jardim, ganhou a escadaria, tirou de um bolso uma enorme chave e com ela abriu a porta.

Dr. Raid fechou a porta atrás de si com um malévolo que parecia representar um misto de alívio, satisfação, e desejo de matar criancinhas. De dentro da capa tirou um frasco com uma substância escura e espêssa, que ele mirou longamente antes de arremeter-se escadaria abaixo, rumo ao porão aonde tinha seu laboratório. Seguiu-o Hércules, um gato caolho de erregelante aspecto.

- Ah, Hércules, hoje há de ser o grande dia! - disse o despirocado Dr. Raid - Tenho aqui o último ingrediente que faltava à minha poção! Eu o consegui cozinhando o fígado de um obeso morto há seis dias, não mais nem menos.

Enquanto falava, misturava o conteúdo do frasco ao que havia em uma espécie de caldeirão, ao passo que Hércules, após saltar sobre uma velha poltrona que havia num canto escuro do laboratório, lambia suas patas.

- Você sabe, Hércules - continuou o bom doutor - que eu conheci a glória e a fama na juventude, após haver inventado o veneno para baratas que leva meu nome. Contudo, dissipei meus recursos com bebedeiras infindas. Você sabe que eu sempre fui terrivelmente tímido e recatado, e apenas bebendo conseguia suportar o convívio social. Sem ele, contudo, ardia, e ardo, em agonia. Depois de anos sem um novo invento, contudo, os amigos foram rareando, os convites para palestras desapareceram - sobretudo após ter discursado no Instituto Britânico sem minhas calças. A saída foi retrair-me neste casarão pelos últimos vinte e dois anos. Agora, contudo, verão a quem desprezaram! Verão a quem chamavam de bicho do mato, ou tipo estranho! Com essa poção serei tudo o que sempre quis ser, sem pudores, sem medos, sem timidez!

- Miau - responde Hércules para não parecer mal educado.

Glub Glub Glub - Raid tomou da poção sem maiores delongas. Após terminar de beber, quebrou o frasco na mesa e retorceu-se, como se sentisse muita dor. Começou a convulsionar, mas algo ainda mais estranho estava acontecendo: seu vulto pareceu crescer, a ponto de rasgar-lhe a capa; suas unhas cresceram, os cabelos também. Aliás, cresceram e enrolaram, um permanente chiquérrimo, bem ao gosto da época; sua boca adquiriu uma coloração rosa brilhante, os olhos uma sombra verde, os peitos cresceram e tcharám: tornou-se uma fruta louca!

- Agora - disse com voz afeminada - não sou mais o Dr. Raid. Sou Paloma Sonho de Valsa e vou sair pra a-za-rar! Tchau Hércules.

E os inferninhos de Albrickham jamais foram os mesmos, graças ao tufão Paloma Sonho de Valsa.



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Sexta-feira, Outubro 03, 2003


As pesquisas continuam

O EESMBRG (Ernestinho e suas mulatas besuntadas Research Group), insatisfeito com as teorias até aqui planteadas a respeito da real e verdadeira e legítima identidade do Ernestinho que empresta o nome a esta imarcescível iniciativa midiática (ou seja, a este blog aqui), continua escarafunchando nos escaninhos de bibliotecas, entrevistando pessoas, levantando documentos, enfim, tudo o que um bom Research Group deve fazer, com o fito exclusivo de vaticinar: quem, raios, é Ernestinho?

Muito bem, o vaticínio retro mencionado continua posicionado em algum momento do futuro, mas há novos e robustos elementos que permitem a formação de uma nova e reveladora teoria. Ernestinho é, na verdade, Jorge Tadeu!

Ernestinho teria nascido em Mossoró-RN em 1953. Sua família foi obrigada a retirar-se do sertão três anos depois, indo tentar a sorte na periferia de João Pessoa-PB. Com doze anos, Ernestinho teria descoberto sua grande vocação: fazer bonecos para marionetes. Logo adquiriu fama e prestígio com essa atividade, o que lhe permitiu, com vinte e um anos (portanto, em 1970), mudar-se para o Rio de Janeiro e montar um ateliê na Avenida Atlântica. Seus bonecos tipo exportação granjearam-lhe espaço constante nas colunas sociais, onde era identificado não como Ernesto das Dores, que seria sua graça de fato, mas como Netinho Albuquerque.

Em 1986, com 27 anos, Ernestinho entrou em declínio, vivendo uma crise criativa sem precedentes, incapaz de fazer novos bonecos. Tentou investir na recém-nata indústria fonográfica, mas apostou todas as fichas no renascimento da disco, o que se revelou uma barcaça furada. Ou uma disco riscada. Na rua da amargura (uma rua da Vila Paraíso, em Cubatão, onde foi morar), sem ter o que comer e com o que sustentar seus dezoito filhos, Ernestinho passou a comer flores, o que inspirou a criação do personagem Jorge Tadeu, de uma novela qualquer cujo nome não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

Um dia, desapareceu no ar, mas espalhou-se rapidamente pelas cercanias o boato de que, se uma mulher comesse as flores que ele costumava comer, Ernestinho materializar-se-ia à sua frente, pronta a anteder seus desejos mais loucos, ou seja, a construir o boneco de marionete com as feições de quem elas quisessem. Há, ainda hoje, mais de quarenta anos depois, uma enorme coleção de bonecos do Dick Farney, do Frank Sinatra, do Ronye Von e do Agnaldo Rayol, ali na Vila Paraíso, o que fortalece a teoria. Já flores, essas não existem faz tempo.

Seria isso verdade? Seria essa a real, verdadeira, ponta firme, digna de crédito e afiançável história de Ernestinho? Se sim, para onde terá ele ido? Ou será tudo isso fruto de uma mente entorpecida pela lesmidão? Seria isso uma delirante criação com vistas a, única e tão somente, entrar no teu computador, ver suas senhas bancárias, seus arquivos mais secretos, tudinho tudinho, enquanto você permanece nesta página? Seria uma forma de conseguir dinheiro fácil?
Talvez NUNCA saibamos!




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Quarta-feira, Outubro 01, 2003


Janjão Jones contra o Sorvete da Sorte

Janjão Jones deixa Janet Jhonson num lugar seguro e vai até a Praça da Sé o mais disfarçado que pode, com terno e gravata, óculos de sol, sobretudo e chapéu preto. No marco zero da cidade está encostado um hare-krishna. Janjão se aproxima e fala a senha:

- Hare hare.
- Hare hare hare ô!
- Krishna hare, krishna ô!
- Krishna krishna, ô hare!
- Ok, b57, sou eu, Janjão Jones.
- B57? Meu nome é Anfilóquio! Acho que você está me confundido com outro irmão. Vai um livro sobre filosofia aí?
- Não.
- Um incenso?
- Não - e Janjão Jones se afasta estranhando a coincidência. De repente olha para trás e o Hare Krishna não está mais. Janjão resolve apertar o passo em direção à Catedral. Sobe as escadarias com incrível agilidade e adentra na nave da grande igreja, escura e soturna. Um padre se aproxima. Janjão recomeça:
- Hare hare.
- Hare hare hare ô!
- Krishna hare, krishna ô!
- Krishna krishna, ô hare!
- Ok, b57, sou eu, Janjão Jones.
- Excuse me, I'm not brazilian and do not understand anything you say. Actually, I am from India and my name is Krishna Hare.
Janjão afasta-se estranhando a coincidência, mas de repente olha para trás e o padre desapareceu. Alguma coisa muita estranha está acontecendo, e ele vai descobri-la ou seu nome não é Percival. Ele anda em direção à lateral da igreja, quando um alçapão se abre e ele começa a despencar num abismo que vai dar numa sala decorado ao estilo dos anos 70. Ali, Janet Jhonson está amarrada e amordaçada e um homem careca com um olho de vidro, num impecável terno amarelo, acarinha a cabeça de um gato persa que tem no colo. Atrás dele, dois negões gigantescos com cabelo black power.
- Ah, Mr. Jones! Prazer em vê-lo. Creio que deva estar curioso para saber quem é seu anfitrião.
- Na verdade não... Zarolho!
- Oh! Como sabe que sou eu?
- Dedução! O que quer prendendo o casal de agentes albaneses mais do balacobaco que a blogosfera já viu?
- Oh, brilhante! Você faz jus a sua fama, Mr. Jones. O que quero com você e sua lasciva companheira não é mais que...

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